segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Resenha: Brincando de empinar pipas

HOSSEINI, Khaled. O caçador de pipas. São Paulo: Nova Fronteira, 2005.

O livro “O caçador de pipas” já foi lido por muitos e quem não leu já deve ter ouvido falar bastante deste livro, pois ele é muito interessante. Este livro é muito emocionante, porque nele crianças são sempre crianças, como em qualquer parte do mundo, e só querem brincar, de empinar pipas ou qualquer outra brincadeira.

O livro conta a história de Amir e Hassan, da amizade entre os dois, os valores, a lealdade, a coragem, e a covardia da parte de Amir. Nos primeiros capítulos, o livro é agradável, mas isso não acontece durante toda a história, principalmente nos últimos capítulos que mostra um Afeganistão totalmente destruído.

No livro conta a história de Amir, um menino rico, filho de um comerciante bem sucedido, que, apesar de ter tudo o que precisa, não tem o que mais gostaria de ter: uma mãe, que ele nunca conheceu, e um pai mais presente. E por ele sentir essa falta, é um menino frágil e carente.

Já Hassan, seu empregado, que era pobre, e foi abandonado pela mãe, teria todos os motivos para ser igual a Amir, já que era considerado inferior por ser um hazara, fazia parte de uma etnia discriminada, mas Hassan era corajoso, confiante e totalmente fiel a Amir.

O livro começa com Amir já adulto morando nos Estados Unidos. Nos primeiros capítulos, fala da infância de Amir e Hassan em Cabul, das brincadeiras e travessuras deles, e também fala de momentos divertidos, como quando descobriram que seu ídolo, John Wayne, não era iraniano e nem falava farsi. Fala muito da casa, do pai de Amir, de como era bonita e da vista que tinha da varanda para as cerejeiras, fala da cidade de Cabul e dos lugares bonitos que lá existiam .

Já nos capítulos seguintes, dá uma ênfase ao que aconteceu com Hassan, porque foi o último inverno que ele correu atrás de uma pipa, e também da covardia de Amir, em não ajudar o amigo quando ele mais precisou; e da partida de Hassan e seu pai da casa de Amir.

Depois, vai para o ano de 1981, quando Amir e seu pai estão fugindo da guerra, e da chegada de Amir nos Estados Unidos, da vida simples que levava com seu pai, de seu casamento com Soraya, da morte de seu baba (PAI), os anos em que viveu casado com Soraya sem poder ter filhos, e de como melhorou na vida. Então, tem-se um salto para o ano de 2001, quando Amir volta ao Afeganistão, e encontra um país destruído, da busca de Amir pelo filho de Hassan, Sohrad, que tinha ficado órfão, e havia sido levado para um orfanato, onde foi vendido para Asseff, o menino que no passado aterrorizava a vida de Amir e Hassan.Como agora Amir precisa entrar em uma luta corporal para reaver Sohrad, e como ele precisa conquistar a confiança dele (Sohrad), que era uma criança muito sofrida, que já não tinha confiança em ninguém, e precisa levar Sohrad com ele para os Estados Unidos.

No livro conta que o Afeganistão era bom antes dos ataques, mas não fala que apesar de estar sempre em guerras o Afeganistão não deixou de existir mesmo debaixo de duas tiranias diferentes – russa e Talibã. Não fala também que o povo afegão conseguiu sobreviver a esses ataques. Interessante notar que o livro não fala que o governo dos Estados Unidos apoiou o Talibã na tomada do poder, nem das invasões e bombardeios americanos que ocorreram anos depois que deixou o Afeganistão destruído, com essa guerra sem fundamentos, onde vários afegãos inocentes morreram, e ainda morrem sem poder escapar da fúria dos governantes. Não mostra a opinião desfavorável que a maioria dos povos árabes têm a respeito dos EUA e do sistema capitalista. Este é um outro aspecto dos norte-americanos: relatam só os “benefícios” levados pelos Estados Unidos aos outros, e nunca fala da destruição que os EUA ajudam a promover contra os países pobres.

Mas, apesar de tudo, “O caçador de pipas” é uma história muito boa. Onde os personagens são tratados de forma extremamente humana. Desperta no leitor inúmeros sentimentos diferentes. Desde amor até indiferença e revolta. “O caçador de pipas” é uma história com acontecimento muito parecidos com a realidade, é um livro muito bom, reflexivo e comovente.

Soeli Pereira, acadêmica do Curso de Letras, da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Realeza-PR.

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