segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Resenha: Uma história envolvente

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 2.ed. São Paulo: Ciranda Cultural, 2008. 155p.


O autor do livro “O cortiço ”, Aluísio Azevedo, nasceu em São Luís do Maranhão e é considerado um dos pioneiros da literatura naturalista no Brasil. Sua obra é considerada um marco nas obras naturalistas brasileiras, por mostrar claramente a pobreza, a falta de normas e regras da sociedade da época.

Na obra, alguns personagens se destacam: Rita Baiana, Jerônimo, Piedade, Firmo, Pombinha, Leónie e a negra escrava Bertoleza que João Romão enganou dizendo que havia comprado sua liberdade de seu dono. No cortiço viviam pessoas humildes de pouca ambição, totalmente diferentes de João Romão, homem ambicioso que queria ficar rica? À custa de qualquer coisa e de qualquer maneira.

A obra traz em seu enredo a história de como se desenvolveu o cortiço, uma espécie de favela na época, que foi construído por João Romão no decorrer da sua vida com muito esforço, trabalhando dia após dia sem descanso, além de se utilizar do seu trabalho para conseguir dinheiro para construir as casas, ainda se utilizava de esperteza na sua mercearia, adicionava um pouco de água no vinho para render mais, e roubando materiais nas construções vizinhas com a ajuda de Bertoleza sua aliada e amante que o ajudava no que fosse preciso. João Romão construía pequenos cubículos e os alugava para os trabalhadores de uma pedreira que havia ali por perto, enquanto os homens trabalhavam na pedreira, as mulheres lavavam roupa para fora para ajudar nas despesas, depois de algum tempo João Romão acabou comprando parte desta pedreira. João Ramão cada vez vai possuindo mais bens, enriquecendo até que conseguiu um título de nobreza, que instigou ainda mais a sua ganância por enriquecer.

No decorrer da história surge um novo trabalhador para a pedreira, um português chamado Jerônimo, homem muito dedicado e trabalhador na sua profissão, casado e pai de uma filha, mas sua vida mudou quando começou a se envolver com Rita Baiana. Através deste contexto da história do português é possível perceber como o meio influencia as pessoas de homem trabalhador passou a ser um vagabundo.

Outra personagem que foi bastante influenciada pela convivência foi Pombinha, moça pura e ingênua, que estava noiva, mas sua mãe não a deixava casar antes que sua primeira menstruação acontecesse, com o passar do tempo quando já mulher por influência de Leónie, acaba por cair na vida e tornar-se uma prostituta.

O cortiço foi incendiado por seus rivais de uma favela vizinha, com isso João Romão reconstrói o cortiço, no entanto, um cortiço para pessoas de classe média, e não mais para os moradores que antes habitavam, em plena miséria.

Depois de receber este nobre título, João Romão marca seu casamento com Zulmira filha de Miranda um vizinho seu, porém algo o atrapalhava em seus planos: a negra, escrava fugida, sua amante Bertoleza, não sabia o que fazer com ela, então a denunciou a seu proprietário, quando o mesmo veio buscá-la, Bertoleza não vendo saída para onde fugir, comete suicídio com uma faca que estava limpando peixe e morre na frente de João Romão.

O autor durante toda a história segue sendo muito detalhista, ele detalha cada cena que vai acontecendo no desenrolar do livro de uma maneira espontânea. Um traço marcante desta literatura naturalista é o enfoque sobre a figura da mulher da época, que em algumas passagens do texto é vista como objeto sexual pelos homens. Nesta obra, o autor mostra de uma maneira muito explícita que ele não se conformava com as injustiças, e as regras de padrões que eram e são impostas para as pessoas de uma sociedade, onde as pessoas que não seguem da maneira exata essas regras são consideradas pessoas de má conduta. O autor nos mostra nesta sua forma natural de escrever sua história as linhas que segue uma sociedade, onde muitas regras são impostas, mas, no entanto poucas são seguidas, No decorrer do livro foi fácil perceber que os personagens viviam em uma total desorganização, uns não respeitavam os outros e queriam tirar proveito de cada situação que surgia.

Josymara Kozerski, acadêmica do Curso de Letras Português e Espanhol - Licenciatura,  da Universidade Federal da Fronteira Sul- UFFS, Campus Realeza.

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